quinta-feira, 1 de junho de 2017

Conversas - Fotografias da coleção Bank of America Merrill Lynch


 A exposição que atualmente ocupa o espaço de acesso gratuito do Instituto Tomie Ohtake recebe o simples e objetivo nome de “Conversas”. Não poderia ser mais certeiro: trata-se, de fato, de um grande diálogo entre obras de diferentes autores e propostas completamente distintas, um esforço possivelmente ousado – do ponto de vista da curadoria – pela dificuldade de se produzir uma coerência, um sentido unitário entre as imagens expostas.

“Só é possível falar em história(s) da(s) fotografia(s). Tudo é múltiplo: os começos e invenções do ponto de vista técnico, os pensadores do meio desde o século XIX e suas aplicações – documento científico, identificação policial, celebração de efemérides, experimentação plástica, fato jornalístico -, cada uma com suas demandas, sem falar nas inevitáveis interseções entre elas.”, são as palavras do curador do instituto, Paulo Miyada, acerca das intenções do projeto. Com mais de uma centena de fotos, o acervo do Bank of America Merrill Lynch chama atenção justamente pela capacidade de reunir extremos de estilo, contexto histórico, proposta narrativa e técnica de exposição sem tornar-se vago - os espaços do Tomie Ohtake são sutilmente tomados pela mixagem de coerência e transitoriedade, entre imagens objetivas de retratação histórica e experimentações estéticas, ou retratos formais e fotografias de passagens humanas contemporâneas.

A constante apropriação e ressignificação de formas e procedimentos, afinal, é intrínseca à trajetória da fotografia: é possível utilizar a objetividade fotojornalística para retratar uma reação sentimental ou experimentar mudanças de foco pouco usuais ao enquadrar um monumento histórico; fragmentar, isolar a abrangência das múltiplas abordagens fotográficas reduziria sua complexidade e representaria uma inevitável falha na tentativa de cercá-la historicamente. Conversas acerta e encanta.
Vera Lutter
Rua La Salle, 135
2001 - Impressão em gelatina de prata

Minor White
Dois celeiros e sombra
1956 - Impressão em gelatina de prata

  
Rodney Graham
Carvalho Galês #4
1998 - Impressão em gelatina de prata

Stéphane Couturier
Under den Linden, Berlin
1996 - Cibachrome

Jon Rosenthal
Hasteando a bandeira em Iwo Jima
1945 - Impressão em gelatina de prata

Luc Delahaye
Rendição Talibã
2001 - Impressão cromogênica em cores

Steef Zoetmulder
Van Nelle Tea
1953 - Impressão em gelatina de prata

Alfred Stieglitz
Retrato de Dorothy Norman
1933 - Impressão em gelatina de prata

Ben Gest
Chuck, Alice e Dale
2003 - Impressão a jato de tinta


 
 Narrativas por trás de uma imagem simples.

Thomas Struth
Musee du Louvre 4
1989 - Impressão cromogênica em cores

Thomas Struth
Plateia 4
2004 - Impressão cromogênica em cores


A coleção permanece em cartaz até o dia 11 de junho, gratuitamente, no Instituto Tomie Ohtake. O espaço está localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201, e tem portas abertas entre as terças e os domingos, das 11h00 às 20h. Cobertura realizada por Leonardo Lopes, estudante de Jornalismo da Fundação Armando Álvares Penteado, autor no portal Cinema de Buteco e no blogue Anterioridade, e membro da SBBC - Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

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